#LUTO #RODEIO #ASABRANCA #GUERREIRO
" O auge aconteceu nos anos
1990, quando ele chegava a eventos como a Festa do Peão de Boiadeiro de
Barretos em helicópteros, saltando de paraquedas ou em tirolesas.
Já narrou montarias dentro de
camionetes em movimento e até mesmo em cima de cavalos, o que foi possível por
Waldemar Ruy dos Santos, o Asa Branca, ter inovado o estilo de narrar ao descer
do palco e ficar dentro das arenas de rodeios.
Até então, locutores lendários como
Zé do Prato (1948-1992) não se aventuravam a descer na pista de montarias e
ficar perto dos animais que chegam a pesar mais de uma tonelada.
Tudo foi possível por Asa Branca -
apelido recebido por ter hábito de aprisionar pássaros - ter "descoberto"
na década anterior o microfone sem fio, quando limpava cocheiras no Texas
(EUA). "Era coisa de outro mundo", disse ele --que desistiu de ser
peão após ser pisoteado por um touro em 1984-- certa vez a este jornalista.
Com a fama e o dinheiro chegaram
também os símbolos de autodestruição que vez ou outra atingem artistas:
noitadas e abuso de bebidas, drogas e sexo.
Conseguia amealhar até R$ 1 milhão em
cachês em um único mês, mas gastava com fretamentos de aviões e helicópteros,
prostitutas, muitas garrafas de uísque e cocaína.
Se fora das arenas os excessos
consumiam o patrimônio - chegou a dizer ter perdido R$ 10 milhões com farras -,
dentro Asa Branca era o principal símbolo da mudança pelas quais os rodeios
passavam e que resultaram na profissionalização da prática no país.
Era a época da internacionalização do
rodeio de Barretos (1993), do real valorizado (1994), de peão brasileiro sendo
campeão mundial (Adriano Moraes, em 1994) e da entrada de country, rock e disco
como trilha sonora nas festas de peão. Saía de cena o caipira, entrava em ação
o caubói.
Asa Branca soube montar nesse cavalo
que passava arreado como ninguém: propagou versos de rodeios e refrões nas
arenas, gravou CDs, era figura fácil em programas de TV, namorou famosas e fez
aparições em novelas.
Essa nova identidade de comunicação
sertaneja implantada pelo locutor fez escola, o que acabou por impulsionar o
próprio nome de Asa Branca como o líder de um segmento e alvo de reverência de
peões e público.
SAÚDE
A vida desregrada do locutor, que a
essa altura da carreira já chegava a faltar a compromissos assumidos, teve novo
capítulo em 1999, ano apontado por ele como o em que contraiu aids de uma
ex-namorada. Mas este não foi o único problema de saúde que afetaria o locutor
nos anos seguintes.
Oficialmente, a doença só foi
descoberta em 2007, ao passar mal quando narrava um rodeio em Unaí (MG). No
mesmo ano, foi internado numa clínica de reabilitação para tratar a dependência
da cocaína.
Já em 2013, uma neurocriptococose -
doença do pombo - fez com que perdesse muito peso, ficasse internado cerca de
três meses, passasse por seis cirurgias e quase morresse. Depois vieram
meningite e hidrocefalia.
Ainda tentou voltar ao mundo das
festas de peão em pequenos eventos, que em nada se assemelhavam aos glamurosos
rodeios que distribuem premiação próxima a R$ 1 milhão.
Mas a voz já não era a mesma de antes
--grave e forte--, tampouco o fôlego. Quase não conseguiu chegar ao final.
VETO
Mesmo longe das arenas dos principais
eventos, era figura constante nas ruas do Parque do Peão de Barretos, onde era
parado por fãs em busca de selfies e ouvia as lembranças que cada um tinha dos
anos em que ele dominava as narrações.
Uma das histórias que gostava de
contar sobre a principal festa do gênero no país é a de quando, em 1994,
apresentou Fernando Henrique Cardoso como "futuro presidente do
Brasil" ao público presente no estádio de rodeios, sem conhecimento da
organização, a menos de dois meses da eleição presidencial.
A direção de Os Independentes, que
promove o evento de Barretos, disse à época que Asa Branca traiu a confiança
recebida e estaria fora da locução da final do rodeio internacional "por
ter transformado a festa em propaganda política". "Se eu for punido,
será com prazer porque o FHC merece", disse, então, o locutor.
Em 2001, o ex-presidente sancionou
lei que transformou o peão de rodeio em atleta, com garantia de seguro de saúde
e previdência social e, no ano seguinte, assinou lei que regulamentou rodeios e
estabeleceu normas sanitárias para proteger os animais.
ARREPENDIMENTO
Há dois anos, o locutor recebeu
diagnóstico de câncer na garganta. O tumor chegou a regredir, mas a doença
voltou neste ano, atingindo também a base da boca e dificultando cada vez mais
a fala.
Nos últimos meses, Asa Branca passou
a dar entrevistas criticando os rodeios e afirmando que a prática gera
maus-tratos aos animais. Via como uma tentativa de se redimir.
Já tinha afirmado, em anos
anteriores, que há festas de peão amadoras, em que touros eram vítimas de
tachinhas ou pregos para que pulassem mais, mas recentemente passou a atacar a
prática como um todo, o que foi refutado por grandes eventos.
Dizia que a maioria dos médicos
veterinários é contra os rodeios e que, se fosse para ser um animal, não queria
ser um usado nas montarias. "Todo dia, antes de dormir, eu peço perdão
para Deus se eu incentivei a maltratar os animais", disse. "
Fonte: gauchazh.clicrbs



























Nenhum comentário:
Postar um comentário